Uma Plataforma Política Judaica *

Autor: David Harris

É temporada de eleições. Então é um tempo perfeito para apresentar minha plataforma política. É a plataforma que eu teria apresentado se nós tivéssemos, deixem chamar assim, eleições judaicas.

Primeiro, sejamos realmente sérios em relação a procurar engajar jovens judeus. Birthright {programa subvencionado que garante que todo jovem judeu visite Israel}** tem sido um sucesso extraordinário. Mas, sozinho não pode carregar o futuro judaico. Nós precisamos re-instrumentalizar de cima para baixo.

Nós precisamos encontrar uma linguagem com a qual falar aos jovens judeus, muitos dos quais estão sendo impelidos para fora deste circulo. Surpreendentemente, muitos estão procurando comunidade, espiritualidade e conexão, mas reclamando que não podem encontrar isso no mundo judaico. Que desafortunados! Está tudo aí, mas algumas vezes tão opaco, tão inatingível, tão diluído.

E nós necessitamos estender o tapete de boas vindas. Isso significa caminhar e não simplesmente falar. Como pai de três filhos, na faixa dos vinte anos, que tem viajado pelo mundo, eu tenho certo conhecimento de quantas vezes jovens judeus entram em espaços judaicos e são ignorados ou ao contrário se faz com que eles não se sintam bem-vindos. Isso nunca deveria acontecer.

Segundo, vamos focar naquilo que nos une como judeus. "Que desvio testemunhar as discussões, as punhaladas traiçoeiras e a bílis da vida judaica". Que judeus ortodoxos são isso, que judeus reformistas são isso outro. Judeus democratas são isso, judeus republicanos são isso outro. Suficiente! Nós dizemos hipocritamente que nós somos um povo e então, com muita freqüência agimos como se cada um de nós fosse o pior inimigo do outro.

Vamos encarar a realidade. Nós nunca vamos concordar com o outro o tempo todo. Não importa qual seja o assunto - política, teologia, ritual. Nós estamos todos em cima do mapa. Porque não podemos aceitar o fato de que na unidade há diversidade e na diversidade há unidade? Ou colocado de forma diferente nós estamos andando por muitos caminhos, mas numa só jornada.

Isso não significa nem por um segundo abandonar pontos de vista comuns. Isso significa aprender a praticar o respeito mútuo, se comportando de uma forma civilizada e reconhecendo um ao outro seu lugar no mundo Judaico.

Terceiro, há perigos da vida real para o povo judeu. Eles não são inventados como alguns poderiam sugerir, por organizações negociantes de medo ou por velhos judeus que vêem anti - semitas em todo lugar que olham. Eles existem e precisam ser expostos e confrontados.

Alguns argumentam que para atrair jovens judeus é melhor evitar a discussão dos perigos. Isso faria que eles saíssem correndo. Sem sentido! Se jovens judeus derivam paixão e orgulho da sua identidade eles compreenderão a importância de encarar nossos inimigos sem vacilação. Caso contrário, porque brigar se você nem sabe que é o que você está defendendo?

Quanto mais claramente pode o Irã deser um mundo sem Israel? Quantas vezes mais os porta vozes de Hamas e Hezbollah tem que se referir aos judeus como "os filhos dos macacos e porcos" antes de que eles sejam levados a serio? Quanto mais desfavoravelmente tem que ter sido tratado Israel nas Nações Unidas para reconhecer que nenhum outro país no mundo "desfruta" o mesmo status? Quantas mais teorias conspiratórias sobre judeus ficando em casa em 11 de setembro, sócios de Lehman Brother’s escondendo bilhões em Israel, judeus americanos controlando a política exterior dos Estados Unidos, devem ter circulado para entender que há aqueles que nos desejam o mal?

Quarto, vamos abordar os sérios desafios internos de Israel. Perto do topo eu colocaria uma estrutura política bizantina.

Inquestionável, Israel é uma democracia florescente. Com certeza há eleições livres e limpas e transferências suaves do poder. E sim um pode reclamar que o sistema é bagunçado, mas de alguma forma funcionou nos passados 60 anos. Depois de tudo, vejam o que o país tem conseguido.

Tudo totalmente verdade. Mas a história não pode parar ali. Uma soleira de fácil entrada ao Knesset garante a profusão de partidos políticos e frágeis coalizões de governo. E vejam o que leva formar esses governos – trocas, suborno, e quem sabe o que mais? Religião e política estão demais emaranhadas, o que é mal para a política e pior para a religião. Primeiros ministros estão sempre olhando por cima dos seus ombros aos seus sócios de coalizão que, de um lado apoiam o governo e do outro lado planejam sua extinção. Deve existir uma forma melhor!

Quinto, paz para Israel não é uma opção; é uma necessidade. Mais fácil de dizer do que fazer, eu entendo isso plenamente. Poucos teriam acreditado em 1973 que seis anos mais tarde, Israel iria assinar um tratado de paz com seu maior e mais implacável adversário, Egito. Com tudo, isso aconteceu. E quinze anos mais tarde, o segundo tratado de paz foi assinado, desta vez com Jordânia.

Isso não significa arregalar os olhos em relação às perspectivas de paz com os outros países vizinhos de Israel. E com certeza não significa virar auto-delirante substituindo fatos por fantasias. Mas Israel deve ser sempre sensível às possíveis mudanças na posição de seus vizinhos. O Egito não se transformou em sionista da noite para o dia, mas o presidente Anwar Sadat veio entender que a paz era uma necessidade estratégica não somente para Israel, mas também para seu próprio país. Isso poderia acontecer outra vez. Líderes árabes previdentes poderiam um dia entender que um estado permanente de guerra não serve os interesses das suas nações, enquanto um estado permanente de paz o faz. Rebuscado? Não mais que acreditar que um dia Sadat iria voar para Jerusalém, e se dirigir ao Knesset.

Sexto, há uma batalha em andamento pelos corações e mente do povo americano. Não façam um erro sobre isso. Nada seria mais comemorado para os adversários de Israel do que ver uma mudança em atitudes para longe do tradicional apoio pró Israel. Eles sabem que os Estados Unidos, dado seu tamanho, força e peso na região, é o verdadeiro prêmio.

Às vezes os inimigos de Israel reclamam que o campo de jogo não está nivelado. Eles afirmam que eles não podem falar claramente por medo de serem etiquetados como anti - semitas. Tolice! A verdade é que não podem aceitar o fato de que seus argumentos não têm persuadido a vasta maioria dos americanos a repensar seus sentimentos positivos sobre Israel.

Mas o sucesso até a data não é a garantia de um futuro promissor. A demografia presente dos Estados Unidos está mudando. Isso se reflete na rua, nos lugares de trabalho, nas universidades e nos salões do governo. A comunidade pró Israel precisa sempre estar atingindo e engajando uma variedade de constituintes, apresentando-lhes Israel e ajudando-os a entender os poderosos valores comuns que unem Israel e os Estados Unidos.

Sétimo, para afirmar o óbvio, o mundo está em fluxo. A era da supremacia americana, alguns argumentam, está no fim ou perto dele. No lugar, uma bagunçada multi-polaridade está se instalando.

A China tem entrado apressadamente no palco do mundo. Rússia está de volta depois de ter sido desconsiderada nos anos 90. A União Européia tem ao todo uma população e Produto Interno Bruto maiores que os Estados Unidos. Índia, Brasil, África do Sul, e outras potências regionais estão exibindo seus músculos. E países como a Venezuela, utilizando suas forças energéticas, estão procurando construir redes globais com nações com a mesma opinião, do Irã à Bielo-Rússia e da Líbia à Nicarágua.

Para a comunidade judaica isso claramente significa bem mais atenção para um mundo no qual o poder esta mais amplamente distribuído. Quer confrontar, digamos o apetite nuclear do Irã? Washington é muito importante, mas também o são Moscou e Pequim. Ignorá-los ou marginalizá-los não vai funcionar. Mesmo que seja árduo, eles precisam estar engajados. Ainda para acontecer assim faz – se necessário compreensão e um toque diplomático hábil. Isso está longe de protestar e tratar de repreender um país europeu pela sua história de anti – semitismo, o que, de passagem, não irá muito longe nesses dias de qualquer forma.

E por último, mas não menos importante, os judeus não devem nunca esquecer de que nós temos responsabilidade em ajudar a reparar um mundo fraturado {tikun olam}**. Para alguns judeus isso não passa bem. Tem sabor demais a Kumbaya {canção com uma visão otimista e naiv da natureza humana}** Eles afirmam que o mundo tem feito pouco por nós, então porque deveríamos nós dedicar recursos precisos para isso? A deles é essencialmente uma mentalidade de fortaleza.

É verdade que nós não temos capacidade ilimitada, e há sempre o perigo de se transformar em "idiotas úteis" ajudando a outros que são, no mínimo, hostis a nós. Mas ignorar o mundo seria ignorar uma peça essencial da nossa declaração de missão. Significaria abdicar de nosso papel de desafiar o status quo e movimentar o mundo mais perto da visão profética. Se o leão e o cordeiro vão deitar juntos (e ambos acordar), se as nações vão mudar suas espadas por arados, se o estranho em nosso meio é para ser bem-vindo, e se a justiça deverá ser alcançada, então nossas vozes como judeus necessitam ser ouvidas – alto e claro.

Essa é a minha plataforma. Eu espero que você vá endossá-la.


* Tradução: Alberto Milkewitz
** Notas do tradutor

Date: 11/24/2008
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